quarta-feira, 27 de maio de 2020

O Ciclo de Necessidade: Queda e Ascensão. Escravidão e Libertação


A Queda na Matéria é o primeiro Ciclo da Evolução, o outro é do retorno à Origem Divina, ou Ascensão. Portanto, faz parte do processo evolutivo. Não transformem as crianças em futuras ”cisternas rotas” (diz a Bíblia) que não retém a «água viva» para ”matar” a sede, por falta da res”, da substância dos veículos do ser e da sua organização. É um modo diferente de entender o significado da Educação e Instrução. Se a criança só pode ser educada por via emocional, quem a educa tem de, por via afectiva, prepará-lo para o conhecimento exacto acima do emocional, de que faz parte a Religião-Ciência.
São necessárias grandes transformações da mente humana e uma limpeza de dogmas – de religião e de Ciência – para ficarmos livres de o receber em Pureza. É decisiva a Presença de homens e Conhecimento que possam ajudar à Transubstanciação, a da eucaristia. Autores como Fukuyama colocaram o problema da liberdade: somos livres como Hegel (e os Mestres) dizem, ou escravizados como Hobbes nos vê, «uma máquina altamente sofisticada... uma série de paixões elementares, a alegria, a dor, o medo, a esperança, a indignação e a ambição, cujas possíveis combinações são suficientes, segundo ele, para determinar e explicar o conjunto do comportamento humano.» Esta é a falta de visão!
Se a capacidade científica da mente depende de conexões do sistema nervoso e dos veículos da alma, a criança a quem não for ensinada Religião-Ciência, faseada, a partir dos 5 anos, ficará espiritualmente «cega» para toda a vida. Se lhe derem o erro e o mal, como desígnio, destruíram-na de modo irremediável! Sendo um Ser divino ela tem em si a Verdade do Bem e do Saber infinitos mas só os revela se tiver deles as «reminiscências» e para ter «reminiscências» – só com o Mestre ao lado podemos recuperar a memória do Passado e vive-la. ([1])
O Mito do Encoberto, próprio do «espírito Lusitano», só aconteceria se o Português passasse a ser Culto em Sabedoria (de Sofia) e Bondade e tivesse coragem para fazer a reforma espiritual. ([i]) Os Países de cultura Ocidental não se libertaram da Cupidez que degenerou a Igreja, os Nobres e, por acréscimo, os Povos. Não culpem os Portugueses, pois lhe criaram condições em que foram forçados a preocuparem-se mais com os interesses materiais do que as necessidades Espirituais da Humanidade. Uma das críticas que mais me dói ouvir, na boca de Português, é: eles tiveram tantas riquezas e não as souberam explorar. 
Para os pitagóricos, não ter uma mente matemática era uma regra de exclusão espiritual. O Português é mau em matemática, por razões do inconsciente. Pode haver grande sabedoria em pessoas sem grande cultura que vivem as imagens divinas. Nas classes educadas que se refugiam numa espécie de «fuga poética», há demasiados erros. O Caminho interior não pode ser percorrido pelo mental, sem ”altas” companhias. Tenho confiança nos poderes latentes que existem em nós; dediquem-se a aliviar a vida transformando-a pela Lei – Bem. Esquecem que Portugal, de D. João I, foi um dos primeiros Países em que os servidores do Estado deixaram de ser escolhidos por influência social mas por curso escolar.
Um autor sugeriu: as religiões são Afrodites de espelho quebrado, ou Vitórias de espelho partido. As formulações espirituais e religiosas são mundos por achar! São referências ao pólo Teo ou Religioso da Árvore, Lei das Analogias, assim na terra como no céu, Lei do Karma (das Vitórias) a Vitória sobre o Erro e o Mal, sobre as tentações – não nos deixeis cair em tentação, etc. Não continuem a procurar apoios em profecias, se não souberem a Ciência delas.
A Evolução Direccional depende do modo como se atingem ou não certos pontos críticos de mudança de estado da substância da mente, sabendo que nos organismos as diferenciações ocorrem até um certo tempo do processo; passado o limite do tempo embriogénico, cessa a possibilidade. Na transformação da vida temos de prolongar o tempo transformador e tratar os objectivos prioritários a atingir e só esses. O que não tiver uma aplicação imediata é inútil para os seres que sofrem e não vêem meios de se libertarem das suas dores. O Mestre disse que a fé poderia remover montanhas. Como posso eu ter fé no sentido de experiência directa da Verdade, quando a Substância e Som dela carece? A Fé é o Entusiasmo, o Timo (Gr Thymós), a força de ânimo de Platão, o élan vital” é força da psique que nasce da Verdade, quando ela é reconhecida pelos corpos que constituem a Alma. O Grande Ânimo era o Sopro da Vida que manifesta o Universo. ([2])
Boorstin, professor universitário americano, tem um saber enciclopédico. Reuniu séculos de história sobre o tema da Criação, do Criador Brahmâ aos criadores artísticos. ([ii]) O ensino dos Mestres não é por ele reconhecido. Onde o discernido vê harmonia, Boorstin, e outros de igual pendor e carisma, vêem o conflito e o antagonismo. A maioria dos livros que o «educado» lê, como inerente ao seu «estatuto», é inteligência mental inferior, da tagarelice, “adoleskheia”, dizia Platão.
O Novo Homem necessita de uma concepção mística de pátria, um misticismo de Glória que para o ser, tem de ter um Futuro, Desígnio. Platão é a referência imperecível. Ele sabia como libertar, iluminar, Boorstin e outros procuram seduzir, exaltar o emocional sem Sabedoria, emocional de «haxixe». Boorstin perdeu-se na selva, onde vagueia o «tigre do mental» e escreveu um texto da cultura do ego separado, que nada ajuda ao estabelecimento da Ciência religiosa.


[1] Buddha nasceu de sua mãe Maya que apoiada na árvore palsa, o deu à luz a partir do seu flanco. Mal nasceu, pelo seu pé, Buddha saudou os quatro pontos cardinais e anunciou, a cada um, que vinha salvar o mundo. Os Anjos dos quatro pontos cardinais materializaram-se para suportar o «palanque» que levou ao palácio o Instrutor da Humanidade.
[2] No Gén. 2:9 não estão descritas as duas árvores funcionais, como os comentaristas dizem, mas três. Chamo a atenção para o facto de Deus permitir que se coma da árvore que é agradável à vista e da árvore da vida. Gén. 3:3. A Árvore do Bem e do Mal só reage sobre o indivíduo quando ele deixa de actuar em nome de Deus e o faz por si mesmo, o que significa que assume a responsabilidade de tudo quanto faz. A partir desse momento está condenado a  encontrar Deus em si mesmo, agir segundo a Lei do Pai Nosso: Seja feita a Vossa Vontade.


[i]     Sampaio Bruno. O Encoberto. Lello & Ir. Ed.
[ii]     Daniel J. Boorstin. Os Criadores. Uma história dos heróis da imaginação. Uma deturpação do conceito de Anthropos, o Homo origem e fim de tudo. C. L. 1993.

terça-feira, 26 de maio de 2020

Parúsia. Presença de Cristo. Baptismo do Fogo


Os Cristãos que esperavam pela segunda vinda de Cristo não a esperavam fora de si mas em si. Basta reler a concepção da Parúsia da Filosofia Grega mais perto da Filosofia dos Mestres. É importante esta concepção de Cristo em nós porque Cristo foi mal posto fora de nós. Se o Homo é filho dos Deuses, espera-se que ”Deus” o habite. O termo Parúsia foi usado pelos primeiros Cristãos para designar a 2ª Vinda de Cristo. 
 Parúsia - 2º vinda de  Cristo
O termo é Grego e na filosofia Aristotélica tem o significado de «presença»: todas as coisas estão a caminho de realizar a «Essência» que as habita. A presença da Essência em nós é chamada a Parúsia.
O Homo vai melhorar a ligação ao Eu Divino pela progressão da 6ª Raça que está a introduzir novas forças em nova Matéria. É pelo efeito dessas transformação que começa a ser mais fácil abrir a porta para cima. ([1])
Quando a porta de cima se abrir, fecha-se para baixo; é um corte com a humanidade que não evolui, o que acelera a separação.
A primeira Vinda de Cristo, Ele mesmo, aconteceu no início da Idade de Kali Yuga, em que Krishna deu o modo justo de alcançar o Divino nesta Idade de luta pelo Dever. As manifestações recentes de Cristo fizeram-se através de Discípulos, Jesus, Apolónio e S. Paulo (5º Raio) e alguns outros que mudaram a Cultura, num penoso processo, relacionado com a vigência do 6º Raio, 6ª Raça.
Na Árvore da Vida, a Coluna de Cristo é a Coluna da Essência, da Árvore do Bem e do Mal; ela é oposta à Coluna da Existência, a Coluna do E. Santo, a Árvore «agradável à vista e boa para comida», ligado à enteléquia que significa a Força que permite levar à auto-realização pelo despertar das Substâncias dos nossos veículos. Não podem mudar de ideias sem mudar de substâncias dos corpos subtis da alma natural. A ignorância da Ciência Espiritual não parece derivar, em exclusivo, da falta de transmissão, ela sempre esteve disponível para ser aprendida, mas da incapacidade da mente humana evoluir para a mente objectiva ou científica. São da área da Psicanálise: o obscurecimento dos Princípios Superiores do Homo, causado por bloqueios evolutivos; Recalques, Bloqueios psicológicos e contaminações congénitas e adquiridas por Vírus Psicológicos, memes dos evolucionistas, o termo consagrado é formas-pensamento muito estudado pelo efeito colectivo.
A falta de Sabedoria do Conhecimento das Leis fundamentais e da Ética (a qualidade do ser) causam lesões no corpo e na alma natural. Se forem produzidas na infância, são irreversíveis, como é irreversível a incapacidade de aprender quando o cérebro infantil é sujeito à fome e a maus-tratos.
Um dos dramas chocantes de pós modernidade é o aumento exponencial dos «incuráveis», dos que são postos em uma prateleira por não haver meios eficazes de os ajudar: os drogados, os tuberculosos incuráveis, os marginais por falta da capacidade de serem humanos, os que têm comportamentos anti-sociais... A má Educação e Instrução estão a destruir as potencialidades Divinas do Homo.


 [1] Um conceito dos Físicos Quânticos (Amit Goswami. Portugal Teosófico, 73. 1999) mostra como a fraternidade universal pode transformar a cultura, por acção de alguns. Quantum significa uma quantidade, a matéria é quantificável. Diz Amit, aquilo que faz passar a possibilidade transcendente a uma actualidade imanente, é a consciência....” Quando duas pessoas estão simultaneamente a partilhar a mesma fraternidade, em terminologia quântica isso significa que a consciência está num estado em que há um collapsing do mesmo acontecimento cerebral em ambos. Collapsing significa fazer descer ou materializar. Segundo o Pensamento Quântico todos os objectos existem como ondas transcendentes de possibilidades e o nosso cérebro não é excepção. É a consciência universal que escolhe e reconhece uma das muitas possibilidades; o aspecto assim escolhido manifesta-se ou “collapses”, criando o mundo imanente das nossas experiências. Alan Aspect verificou (1982) que dois fotões de sistemas espacialmente distantes se estiverem correlacionados podem ter um “collapse” simultâneo. O neurofisiologista Gringbeerg- Zylberman verificou que duas pessoas que tenham meditado juntas, se forem separadas, ao mostrar um “slide” a uma delas, há uma actividade cerebral nos electroencefalogramas de ambas. É a partilha de actividade da mente.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Geografia Sagrado e os Centros Energéticos de Qualidade Divina


Na Geografia de Gaia, a Terra como um ser vivo, as Sub-raças da Raça Ariana, Branca ou morena, os Indo-Europeus, foram inicialmente distribuídos por duas áreas vivas de Gaia: a do Norte de África, com a cabeça na região do Atlas, é masculina; a da Europa, com a cabeça na Península Ibérica, é feminina. Unem-se entre a Ásia Menor, Montanhas Celestiais (Tien Shen). A manipulação por Técnicas de Identificação são usadas na propaganda – clubes de futebol, política, religião... O treino jornalístico é o exigido pelas centrais de informação que criam factos e cenários como meio de gerar a «opinião» favorável; são a herança dos regimes ditatoriais do sXX, e técnicas de informação e marketing da Psicologia das Multidões. A «sedução» jornalista do doutor em torcedelas dos factos é uma fonte de conflitos. O «mediático seduz» pelo coração sensual dos incircuncisos emocionais.
Foi dado a saber que a intervenção de Buddha tornou acessível, aos muitos, a Libertação, mais fácil. Após Buddha entraram na Hierarquia bastantes dos actuais Mestres de Sabedoria. Sendo a Mulher necessária para dar à Luz a nova 6ª Raça, também é a mais sensível aos Erros culturais e precisa de ser defendida do poder mediático.
Há uma Geografia Sagrada. O Centro oculto do Egipto, emanado do centro principal dos Himalaias, é responsável pela Civilização Ocidental, na Geografia Sagrada. O Centro Espiritual dos Himalaias começou a ser reconhecido desde o século passado, quando a Hierarquia o revelou, como parte do processo de elevar a Humanidade até ao Mundo Espiritual.
Há autores que defendem que o Santo Graal foi levado para o Oriente devido às perseguições dos primeiros séculos de Cristianismo. No período do 6º Raio-6º Sub-Raio (6R6) da Era Devocional, dos Peixes, entre os séc. XI e séc. XIV deu-se a abertura ao Conhecimento. Todos os heréticos do sistema, Cátaros, Albigenses, Templários, etc., foram martirizados pela Igreja, através dos séculos. Por Graal entende-se aqui Sabedoria Ética e do Conhecimento e do Poder Divino a Ciência Apócrifa, ou dos Enigmas Descobertos.
O Ocidente produziu uma plêiade de Mestres de Seres Perfeitos, o Graal esteve ao seu alcance. O Graal é um símbolo do Homo interior. A Ciência Espiritual foi secretamente cultivada pela Ordem dos Templários, herdeira da Tradição Joanina dos Mandeus, os medianeiros entre o Oriente e o Ocidente, nesses tempos longínquos. 
Durante a Era Cristã foram activados caminhos sagrados para despertar o 6º Homo. A história de Præstes João está ligada à recuperação da tradição espiritual oculta, pelo Ocidente, alienada pelo comportamento incorrecto dos povos. O Homo é o lado da Qualidade e anseia pela Lei (logo, é autoritarismo); o feminino é o inverso, sendo a Lei, anseia pela Qualidade ética (logo, é tolerante).
Dos Mandeus se diz: as suas escrituras sagradas revelam um sincretismo de pensamentos babilónicos, judaicos, persas (masdeísmo) e cristãos. Os materialistas (da ciência ou religião), não deveriam chamar mistura de crenças heteróclitas (um chavão), a conhecimentos universais de Ciência Espiritual para a qual estão cegos. Ao caracterizar deste modo o que ignoram, mostram o desejo de desacreditar o que está fora das suas ideologias! Falam de sincretismos – misturas, para não terem de admitir que há sínteses perfeitas, onde o que parecia oposto mostra a sua unidade. O Cristianismo do Oriente e o Joanino (dos Mandeus) eram devotados a Nossa Senhora, em relação com o despertar da Árvore Ascensional.
No Ocidente, só a partir do séc. XII houve uma difusão das Virgens que, diz o povo, apareciam muitas vezes em cavernas, lugares santos sobre os quais se construíam pequenos santuários sobre a rocha, ou se erigiam grandes catedrais. Alguns caminhos de Gaia (Terra como ser vivo) foram balizados por Igrejas a Nossa Senhora. O melhor exemplo é a Estrada Jacobeia de S. Tiago, vinda dos Pirinéus. A importância do Caminho de S. Tiago, por ser um caminho de peregrinação que percorre um dos vasos da nossa Mãe, porque é um Caminho dedicado a Nossa Senhora e aos Devas, o aspecto feminino. A Demanda do Graal é uma legenda Oriental; foi Cristianizada para uso das cortes medievais, sob severa vigilância do Clero Católico. Representa o despertar do culto da Virgem Maria, a partir do sXII, no Ocidente, misturado com Cruzadas, Inquisição, lutas pela hegemonia da Fé Católica... «A religião do nome dos mares vencerá.» (Maria, Sofia).
O culto a Nossa Senhora, iniciado pelas «aparições», transformou as mentes, para a tolerância e brandura de costumes. A libertação sexual, nos aspectos positivos, e valorização da mulher (vítima de exploração), e ré dos crimes de tentações! A fragilidade da mulher sem acesso à mente objectiva ou científica impediu durante séculos a devoção à nossa Mãe Divina. Há seitas que rejeitam, simbolicamente, a capacidade de gerarmos Cristo em nós. Eu só rezo ao Criador, não rezo a intermediários... «Que ânsia distante perto chora», diz Pessoa!
A valorização da mulher e da Mãe do divino no Homo (Maria) é a mudança psicológica necessária ao Homo divino. O culto de Maria é essencial ao desenvolvimento da Nova Idade, como mãe do divino, onde não tem lugar a mulher «objecto» de sedução sexual. Em Portugal, os romeiros fazem percursos a pé ao santuário de Fátima. Portugal outrora incluído no norte de África, quando a Europa do Norte não existia e o mar do Norte banhava os sopés dos Pirinéus e Alpes. A «Hibérica» faz parte da geografia sagrada; é um centro dévico, para a Civilização Ariana Ocidental, na região do Atlas, o que suporta o mundo.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Ascensão na Árvore da Vida. Os Três Primeiros Passos


No Caminho dos Oito Passos, os três iniciáticos são:

1º Passo: Compreensão justa, a certeza de que vivemos para o Ser Divino que em nós habita, o Eu Sou aquilo que É, e não para nós.

2º Passo: Pensamento justo tem a ver com as representações entre o que é Espiritual e Divino e aquilo que é oposto. É o 2º Mandamento: não alterar as «Imagens Divinas» que vivem no Plano Búdico.

3º Passo: Palavra justa é o mesmo que «não invocar o nome do Senhor de modo ilegítimo», sendo «o nome do Senhor» as Leis que regem o mundo. É o «santificado seja o vosso Nome». Não viciar ou fantasiar leis para justificar satisfações e dependências, que infringem as Leis Divinas.


No Yoga da Sabedoria de Shankaracharya é: 1º Discernimento; 2º Desapego, libertação de desejos e coisas; 3º Mental aberto. A diferença com o anterior é a seguinte – a palavra justa é a que não gera dependências de desejos ou afectos e liberta o ser de desejos e coisas. O Desapego tem uma relação com a Palavra! Sem mudar para a Palavra Justa, perde o valor Energético dos étimos.
As línguas são analógicas dos poderes ocultos nas coisas. A palavra é um modo de revelação da Força que está oculta na Substância dos nossos corpos. Uma palavra emitida tem um poder construtivo ou destrutivo; se for correctamente emitida ou vivida, a palavra, a vibração, pode relacionar-nos com o processo pelo qual o Universo veio à existência e «abrir» altíssimos níveis de energia.
Para que uma nova Raça (Homo, Espécies, Continente, Era zoogeográfica) é preciso que os Anjos façam soar a Trombeta Racial depois dos homens alcançarem o patamar e o ponto crítico de “mudança de estado” da Matéria. As palavras pronunciadas por Grandes Seres têm um valor mantrânico, mágico, e fazem brotar torrentes de energia necessárias à evolução, activam mecanismos do Caminho de Santidade ou do Discipulado, a percorrer na mente de cada um. As Leis da Mente que interagem com as Leis da Matéria, promovem a Evolução.
Fazer descer mais na Matéria bloqueia o sentido da vida, da Queda pela maçã putrescível, para a Ascensão pela maçã de ouro imperecível ou hespéride. Maçã do Lat. «Malus» macieira; «Malum» árvore do conhecimento; «emalo» escolher ente opostos; «Malum» mal. Hesperius era o planeta Vénus e os Pais Solares são os Senhores de Vénus; Hespérides as maçãs Espirituais, de Vénus. Afrodite trazia na mão um ramo de macieira que representa o Desígnio Divino.
O étimo saxónico apples representado em consoantes (P.P.L.S) é o mesmo de populus, povo, os muitos. Apolo (a, não; polo, muitos), símbolo de Homo perfeito, Uno, é o inverso de polo! Também Sal, os discípulos do Mestre, porque S.L. é sal e Graça Divina e está na raiz de Salém, Shalon, Paz, Selo, o esotérico; o Sol...! As etimologias, os sons são as ”chaves” de evoluir! São os Sons que geram os corpos das almas (com forma e sem forma), inferior e superiores. Uma das razões que levaram os cientistas a saberem que existiu a Raça-Raiz a que chamam os indo-europeus (5ª Raça da Teosofia) deve-se a Franz Bopp que, em 1813, viu as relações etimológicas das línguas da 5ª Raça no étimo mãe: Gr. mutter; muther (alemão); moddar (germânico) moder (sueco), mother (inglês), mère (francês) madre (espanhol), mater (Latim), e matar (Sânscrito), a língua original. 
Os Mestres preferem usar o Sânscrito, uma língua cientificamente formulada, no Som perfeito.
Os Iniciados ensinam a língua adequada à força da nova Raça-Raiz quando esta é gerada. Necessitamos de aprender que energias libertam as palavras, a vibração exacta; algumas libertam enormes quantidades de energia e só podem ser usadas por Grandes Seres. O domínio da Palavra Justa, o modo como vibramos em todo o nosso ser, é facilitado se aprendermos a fazer um discurso certo; se reconhecermos a etimologia sagrada das palavras; não por mero interesse filológico, mas porque se vibrarmos a palavra certa temos a vivência da sageza oculta na combinação de sons, e podemos ser criativos. Para se aprender Ciência Espiritual criativa, é necessário aprender a viver num grupo de proficientes nas Três Sabedorias dos Mestres, não para si mesmos mas, pelo auxílio à Vida em geral.
O Sânscrito é a Língua original, sagrada (ensinada por deuses), da 5ª Raça-Raiz, a Ariana, os Indo-Europeus, a Raça Branca. Nova Raça, nova Língua. A última das três Raças Físicas densas é a 5ª Raça, chamada Ariana. É o padrão das línguas inflexivas. O termo Ariano é aplicado aos Indo-Iranianos e brancos Europeus. Em Sofia, o termo Ariano tem outros significados, e aplica-se ao grupo histórico das migrações dos Indo-Europeus. Inclui todos os que migraram da orla de Gobi para a Índia, e, os que, através da Ásia Menor, se fixaram na Europa, no Irão, e Norte de África. Os Europeus são duas Sub-raças de Indo-Europeus geradas no Cáucaso: a 5ª Sub-raça, Teutónica, do Norte da Europa (germânicos, anglo-saxões, russos), a 4ª Sub-Raça, da Europa velha, do Sul. Para fazer Ciência convém saber como se diz em Sânscrito, ou no Grego antigo.
Quando emergir a 6ª Raça-Raiz, os Iniciados da Raça terão de ensinar, durante a Idade de Ouro racial, a nova língua, isto é, a língua com possibilidade de despertar os poderes inerentes ao novo complexo de qualidades aberto para evoluir «o patefacto», às novas matrizes dos veículos, para serem desenvolvidas.
Em cada nova Raça Raiz há uma nova luz (consciência) e novo som (matéria), para evoluir que determina a Era Geológica e novo Paradigma. De degrau em degrau o Homo abre-se à Vida. Quando atinge o ponto crítico de mudança, ela é brusca. Repentinamente, somos outros. Em suma, os Universo são vibrações. Só é possível existir uma vibração numa condição polar. O Manifestado tem dois Pólos: 1. Substância da Consciência, Positivo, o Sujeito. 2. Matéria, Negativo, o Substrato, o Objecto. Os dois pólos do Ser permitem revelar o Ser que em nós vive.
Sem o Código de Símbolos, os livros da tradição Judaico-Cristã são ilegíveis. As seitas religiosas, Milenarismos, etc., dão interpretações abusivas dos textos sagrados, e geraram desconfiança que degrada o Saber. À Realidade Última para lá da Manifestação, sem palavras para a descrever ou ideias para a pensar, chamou Jesus-Cristo: Deus, ou o Reino de Deus. Um Reino é uma expressão de ser (mineral, animal, etc.); o Reino de Deus é o Ser e não um Ser. O conceito de Reino diminui a tendência a «pessoalismos»; é uma Realidade Última.
Os teósofos designam-na por Logos (significa a Palavra). Por analogia, Lógia são as palavras divinas, pronunciadas por um deus, um Mestre da Sabedoria, as quais têm o poder de fazer revelar o divino em nós e de nos restituírem à nossa verdadeira identidade essencial. O ensino dos Mestres pode limpar os «erros culturais». A natureza do Homo está orientada para o Bem e Verdade. O Senhor Buddha com as Quatro Nobres Verdades e o Caminho dos Oito Passos, as Três Jóias e o Pansil, permitiu o despertar da mente, a circuncisão do coração.
O Cristianismo clerical rejeitou os textos religiosos rotulados de apócrifos. O vocábulo Apócrifo deriva do grego Apókryphos, e significa: oculto, secreto. Introduziu-se no imaginário do crente a relação entre apócrifo e griphos, grifo, um animal monstruoso, para criar uma atmosfera de medo e rejeição. Para a classe baixa, apócrifo é – demoníaco, pecaminoso; para a classe culta e espiritualmente cega, apócrifo quer dizer – texto não oficial, inconveniente para a relação com a Igreja e com as benesses do poder instituído.
Cristo não se manifestou apenas em Jesus dos Evangelhos, e o Mito de Jesus é diferente do que a religião consagrou. No Ev. Tomé, L 104:
«Eles disseram-lhe (a Jesus): Vem, vamos hoje rezar e jejuar. ‑ Mas que falta terei eu cometido ou em que é que fui derrotado? Depois de o esposo deixar o Tálamo nupcial, então, que jejuem e rezem.»
A referência ao Tálamo nupcial corresponde aos Tálamos ópticos do 3º ventrículo do nosso cérebro. Desposar é união espiritual: Cristo, o Eu Divino, a noiva é a persona (per som, pelo som, sendo som o lado existencial, trombetas dos anjos), a personalidade. Mt 9, 14, 15; Mc 2, 18, 20; Lc 5, 33, 55; J 3, 29. Desta fusão energética resulta o Nimbo ou Glória de Deus, o halo sobre a cabeça. Clarifico: Nimbo, a coroa dos santos, significa Vapor de água – interacção de água e fogo – as duas energias. O Nimbo também se chama Glória, Hod (VIII). Ver a Árvore da Vida. Na base do 3º ventrículo estão: os Tubérculos Quadrigémios importantes no nascimento do deus menino, Mercúrio. São energias a concentrar no terceiro ventrículo do cérebro, pela ascensão das Serpentes do Caduceu de Mercúrio, identificado com a Coluna Vertebral, as quais sobem do Chakra Sagrado, sobre o Osso Sacrum, para o terceiro ventrículo. Na sua Ascensão para o cérebro, a energia do chakra do osso sagrado, Kundalini, activa os Chakras da face anterior, para o Bem ou Mal.
Diz F. Pessoa que Portugal foi figurado nas profecias como a Serpente. Refere-se ao despertar de Kundalini na humanidade, a energia necessária para a ligação entre o temporal e o espiritual. O nascimento de um Império Espiritual tem por base a ligação do Eu inferior ao Eu Superior e para alcançar esse Objectivo é necessário um acréscimo de Energia que faça a Transubstanciação: a força da Serpente. Há ilusões programadas pelas força do Egoísmo para nos confundir:
A. Impotência em ajustar a vida às Leis Divinas. Há uma ignorância desejada para reduzir os efeitos nefastos do Karma: se ignorar as Leis sou irresponsável ou tenho atenuantes! O efeito Adrasteia do Karma força a repor a Harmonia.
B. Identificação desta Ciência com o Mal, segundo uma estratégia de poder maligno sobre as consciências.
C. Subdesenvolvimento Mental. Nesta Ronda o Corpo Mental e por reflexão as estruturadas conectadas a este veículo, desenvolvem-se em função do Emocional. Daí a necessidade de popularizadores, os que são capazes de se emocionarem pelas coisas. O Homo sem acesso ao nível holístico da Inteligência onde a Verdade ou Lei e o Bem são a sua natureza e geram uma ordem artificial, em códigos de moral e legislações, para assegurar a estabilidade social. Códigos e leis tendem a tornar-se apenas repressivos, farisaicos, desumanos – a letra da lei torna-se mais importante do que a essência. Assim se institucionalizou o desacreditado sistema, leis justas que se revelam injustas causador de um aumento de 500% de criminalidade e 300% de divórcios, desde a década de 60. Teriam existido sem os erros científicos e políticos?
D. A alma grupo, ao exercer um domínio emocional, pode impor comportamentos negativos. Daí a necessidade de criar uma alma grupo «distinta», nazarena, que compreenda os valores espirituais, o Dever do Cristianismo.
Não há Novo Homo sem novas Substâncias dos Sete corpos. Os Chakras são centros da matriz do corpo físico através dos quais é possível transferir energia ou a mente de um para o outro Plano da Natureza, cada um relacionado com um dos sete tipos de energia. É representado no Apocalipse como: as Sete Igrejas a quem se mandam as sete cartas simbólicas, das sete «viagens» da mente.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Apócrifo é o Oculto. Evangelho de Tomé: a Sabedoria Efesina


Muito do ensino secreto dos Cristãos tem nítidas influências da "qualidade" de S. Paulo, que era o mais indicado para instituir uma linguagem religiosa para a 5ª Raça, "Branca" ou Ariana, a que pertencem os povos das Sub-Raças originalmente instalados na Índia, Norte de África e Europa, os Indo-europeus. Enquanto S. Paulo estruturou o Cristianismo no I século da Era Cristã, Apolónio de Tiana orientava a 5ª Raça para a Era Devocional. Jesus representa o Karma-Nemesis, a diferença entre Bem e Mal; S. Paulo, o Rigor, os Ciclos, o movimento de Queda no Mal e escravidão ou Ascensão no Bem e Libertação. A importância de Jesus e de Apolónio-Cristo não foi ambos terem feito milagres mas mostrarem ao Homo que o Karma-Nemesis não era uma fatalidade e poderia ser redimido pela Qualidade Divina de Amor do Homo. É o significado do milagre! Entre os dois Mestres da Sabedoria, seres Perfeitos, e o Senhor Cristo há uma grande diferença.
O início do Ev. de Tomé designa o autor por três nomes:

«Eis as palavras secretas – reveladas por Jesus, o Vivo – e transcritas por Dídimo Judas Tomé».

Dídimo significa gémeos, em grego; Tomé significa gémeos, em Aramaico. A repetição do termo gémeos não é acaso. A fusão das duas energias – da mente e da matéria, do Fogo e da Água, dá-se no Terceiro Ventrículo do nosso cérebro, onde se encontra a Epífise, um órgão relacionado com a terceira visão, a clarividência; onde existem nas paredes laterais as Camas ou Tálamos ópticos, e nós sabemos como estes tálamos nupciais, do casamento das duas energias as quais dão origem ao Nimbo, ou Coroa dos Santos, citados nos Evangelhos. Os termos Tomé e Dídimo, um Aramaico e o outro Grego, relacionam-se com o signo dos Gémeos e da circuncisão na Sephira do 8º Dia. O Evangelho (Ev.) Tomé é um texto oculto para uma Terceira Idade Evolutiva do Homo, que começa sempre por, Jesus disse. Phêsi em Grego significa: o Mestre disse. O facto de o Evangelho começar com uma referência oculta aos dois Gémeos, explica os Gémeos: o Abel e Caim e os dois Eus, o inferior e o superior. As Leis correspondem às Sete Hierarquias Criadoras, aos Sete Raios de Luz. Phêsi, em Gr., significa: o Mestre disse, palavras que são um Lógion, palavra criadora. Sabedoria Efesina é a dos Mestres.
O Ev. Tomé é Apócrifo o separado livre de ou acima dos grifos, Enigmas. Em vez de relatos de factos ou narrativas de parábolas, construídas para estimular fortes impactos emocionais ou passionais, é um «précis» ordenado de ensinamentos do Mestre, escrito numa linguagem cifrada de um «código de símbolos», dirigido sobretudo à Intuição. É um encadeamento de frases curtas, de palavras-chave, chamadas no singular Lógion (L) e no plural Lógia (lê-se Lóguion e Lóguia), segundo uma sistematização sobre o Caminho do Discipulado, para ser decifrada por quem dominar Sophia, e que leva à imortalidade. É um sistema de versículos em que o começa é sempre a referência fiel a «o Mestre disse».
O étimo Grego Logos, Palavra, Verbo designar Deus Manifestado (se é legítimo o uso do vocábulo Deus, sem o explicar). Tudo o que há é vibrações; e estas são relações numéricas. As palavras são combinações de sons, de vibrações com medidas exactas e, originalmente, foram criadas pelos Mestres, para gerarem forças analógicas do poder que representam, em relação com os Sete Poderes do Kosmos. A «Palavra Justa» é um degrau do Caminho de Energia para o Bem.
Chamamos à Vida Una, Isso, o Inominado, o Sempiterno o Em-Todo-o-Sempre-Não-Manifestado donde emanam os Universos manifestados numa condição polar. O Sempiterno tem como expressão analógica a Luz, porque a luz se reporta ao Pólo da Consciência ou Pólo do Espírito. Corrijam um erro materialista: «não são os genes que criaram a vida, foi a vida que inventou os genes», Science & Vie, Nov. º 99, p.177. A Luz Divina (o Fogo Criador) criou as coisas a partir de manifestações anteriores. É o corpo do pensamento que cria o cérebro.

terça-feira, 12 de maio de 2020

Jesus, Apolónio de Tiana, Paulo de Tarso, manifestações de Cristo


Na escola de Qumran praticava-se o Yoga: renúncia ao matrimónio, à propriedade privada. Cumpriam-se os Passos do Caminho do Yoga. Os textos esclarecem o ensino incongruente com a tradição histórica oficial, porque em 102 AC, Jesus havia nascido e vivido entre gnósticos, de quem foi Mestre. O Mestre Jesus foi o que terminou os sacrifícios de animais: entrou no templo de Jerusalém com umas boas cordas que marcaram as costas de sacerdotes e vendedores do templo, partiu tudo... Leiam os relatos do episódio nos Evangelhos mais recentes descobertos e verificam que a imagem de Jesus, do vosso deleite, nada tem a ver com o Mestre. É mais provável que à nossa maldade, egoísmo, devoção cínica e outras arrogâncias, o Mestre responda com a reposição da verdade e do bem!
As crianças não são homens pequenos, são os Karmas de homens que reencarnam, mas o Homo verdadeiro só toma conta da personalidade pelos 5 ou 7 anos. Até lá, os Anjos habitam os corpos humanos (símbolo da cabra Almateia de Júpiter). Eles são sensíveis à Ordenação mas não ao Bem-Mal. Têm de os educar como se educam os cães ou golfinhos, não pensar que os cães nascem ensinados e sabem tudo. Conduzir um Deva é diferente do que “conduzir” Homens do 7º Reino, incapazes de ser eles mesmos, por regressões patológicas.
Apolónio de Tiana, um Mestre idêntico a Jesus, os romanos prenderam-no em condições degradantes, e não O mataram porque o Mestre decidiu dar-lhes uma lição e revelou os seus poderes: fez graves e violentas acusações ao Imperador e aos seus juízes e desapareceu à vista deles. 
Aprendam que a realidade não se esgota em Jesus; há muitos Mestres de Sabedoria, deuses, e sem os reverenciarem como Mestres, falharam. Após um século de actividade no mundo, Apolónio, esse deus símile Jesus e contemporâneo de Jesus dos Evangelhos Cristãos (cuja primeira existência foi em 102 AC na comunidade de Qumran), é tão veículo de Cristo como Jesus. O centenário Apolónio nunca envelheceu, parecia jovem. Cumprida a missão, despediu-se dos discípulos e sumiu-se para os lados da nascente do Nilo. Apolónio deixou por todo o Império, uma transbordante Santidade e "milagres", em contínuas caminhadas a pé, acompanhado dos seus Discípulos, ao longo dos canais de vida de Geia (a Terra), desde a Península Ibérica, Norte de África até à Índia. Ele preparava o futuro desses locais geográficos.
O termo milagre é uma expressão poética. Jesus, o Mestre do Karma, pela sua própria natureza, tem o poder de reorientar a Lei, se entender ser mais favorável, sem alterar o resultado final. É um dos atributos dos Mestres. À volta de Apolónio também se gerou um forte movimento devocional puro e os milagres aconteceram. Existiram dois grupos de devotos de Cristo: os espiritualistas do Cristo grego e os políticos do Judaísmo e do Cristo Aramaico. A Igreja é muita coisa indesejável, começou por ser vítima, antes de ser ela mesmo carrasco. Em nada vos ajuda serem juízes, mas ajuda-vos muito reconhecerem a Verdade ou Sabedoria.
O Imperador Septímio Severo (193-211) e seu filho, sob influência da Imperatriz Júlia Domna (que tinha uma estátua de Apolónio no seu santuário privado, e havia mandado fazer uma biografia do Mestre), erigiram um templo em Tiana, em sua memória. Os sectários do Cristo Aramaico destruíram-no, e perseguiram ou mataram os devotos do Cristo grego. Os Manuscritos de Qumran tardam em ser publicados, põem em causa o Judaísmo e o Cristianismo oficial, e os discípulos de S. Paulo foram perseguidos, pelo poder!
O cientista ante a falta de dados objectivos sabe que nem sempre é possível responder às perguntas cientificamente formuladas. Se forem experientes de Sofia (Ciência global) dos Mestres verificam que a Sabedoria do Conhecimento responde às quatro Atias (quê? como? por quê?, para quê?). A Verdade, ela mesma, aumenta muito o poder de Saber, a não verdade é o inverso.
Os «geradores de opinião» nunca estudaram as outras religiões (aceitam, doutrinas sem provas e sem lógica, por retórica e apologética, superstição e nunca dados objectivados); desqualificam-nas sem ver. Transcrevo os impropérios escritos pelos doutos do tempo de S. Agostinho contra Apolónio, isto é, contra”Cristo”, para avaliarem a extensão do nosso drama. Disseram eles referindo-se a Apolónio, igual a Jesus: o impostor, blasfemo, falsário, bruxo, ímpio, cacique de Satã, um macaco de Deus... Se os santos da Igreja nascente disseram de «Cristo» o pior, bem podem perdoar ao Nobel José Saramago o descrédito de Cristo no Evangelho segundo Jesus Cristo. Uma crítica dele é válida, se tivesse investigado o real, veria que Jesus biológico deixou-se sacrificar, não deixou discípulos abandonados.
Apolónio, um Deus compassivo, muito poderoso (e não um Homo), foi rejeitado como «macaco de Deus.» Quantos malignos fazem isto? Vivem das ideologias que escolhem para si-mesmos, como verdades que não são Verdade. Libertar do campo de ressonância de ideologias para o da Verdade é difícil. Dizer isto é criar inimigos do peito! O Homo precisa de uma base segura, uma directriz, nem os igrejismos, nem a Ciência a deram. Quer a santidade de Apolónio, quer a Teosofia moderna, não são reconhecidas! Se alguém se diz ao serviço do Mestre e depois não O reconhece, está ao serviço da intolerância, dogmatismo e crueldade. Emociona-se mas não pensa nem vive a Verdade e o Bem do Mestre. A palavra do Mestre age por dentro e tem o poder de despertar a Ciência e o Bem em nós mesmos. Se não desperta o poder em nós, de nada nos serve. Se uma religião tiver adulterado os ensinamentos dos seus Mestres, em vez de salvar, leva à ignorância, violência, dogma, cruzadas, inquisição, ditaduras, sem soluções espirituais.
Os textos de Nag Hammadi e de Qumran vieram chamar a atenção para um outro manuscrito, descoberto em 1896, conhecido por Documento Zadokita, ou Documento de Damasco o qual seguramente está relacionado com os textos de Qumran.

Estes textos são uma exposição da doutrina Cristã um século antes de Jesus do Mito. É o paradoxo de um Cristianismo um século antes da data! Têm de admitir outra manifestação de Jesus e que existem outros Mestres do nível de Jesus que estão a intervir no mundo, diariamente. Os textos falam-nos de um Mestre de Rectidão ou Mestre do Rigor, idêntico a Jesus. É um dado consentâneo com a Tradição Oculta. Os meios utilizados em Ciência Espiritual para fazer este tipo de investigação são menos falíveis, embora, como é da norma, também devam ser sistematicamente confirmados.
Dizer que Jesus nasceu em 102 AC não chega; é vantajoso acrescentar que essa data é concordante com os dados arqueológicos recolhidos, com a evolução da doutrina Cristã e com a aplicação da doutrina dos Ciclos à Evolução. É um problema de Leis e nunca acasos! A evolução da Fé Cristã percebe-se se fizer recuar o nascimento de Jesus um século. Todo o conhecimento espiritual é ministrado pela mesma Hierarquia que vela pelos homens. Para se atingir o nível de Jesus é necessário ter alcançado um grau de Conhecimento e Perfeição pela circuncisão do coração, não dependências passionais, de desejos e emoções que suscite a 2ª Iniciação no Caminho dos Mestres, chamada Baptismo.
Jesus e Cristo são dois Seres (de uma Grande Hierarquia) manifestados num só corpo. Essa é a opinião dos Discípulos avançados dos Mestres. Cristo é um Deus muito elevado mesmo para um Ser Perfeito que haja terminado a sua evolução humana e transcendido a Humanidade. Cristo, e o seu Discípulo Jesus, como se deduz do Organigrama da Hierarquia de Compaixão, dos Seres Perfeitos, são uma unidade inseparável. Mas os Discípulos de Cristo são muitos e não apenas Jesus. Não quero perturbar o crente mas está a falar de Deuses e não de homens.
Jesus e Cristo podem manifestar-se em todos os que forem capazes de partilhar a Substância Crística nos seu corpos, sabendo que as três almas – natural, humana e espiritual – que cada um de nós é, são constituídas por “Substâncias” que evoluem. Deixem o mundo dos homens comuns onde impera a desumanidade das Forças de Trevas! Jesus e Cristo estão activos e vigilantes ao destino de cada Homo e solidários com as nossas tristezas e alegrias. Eles estimulam-nos a escolher os caminhos mais fáceis, menos punitivos. Dizem os seus Discípulos, que Cristo, Jesus e outros de igual Poder, sempre viveram entre os homens, antes e depois de se terem manifestado em público. Os Mestres continuaram a ser, ininterruptamente, Mestres "palpáveis" para alguns, e a ideia de que não se pode saber a Ciência Perfeita é um abominável orgulho humano. Pôr de lado a Sofia e ir discutir Jesus e Apolónio, pessoas, é um meio de fugir ao Saber. De facto, só Grandes Seres como Jesus e Apolónio podiam ser veículo de um Ser muito maior, a quem chamaram Cristo e os Orientais conhecem com o nome de Maitreya. O próprio Senhor Buddha falou d’Ele como o seu sucessor no cargo.
Devia repetir esta verdade muitas vezes porque todos os que estão habituados ao coitadinho de mim, que tanto sofro, são aqueles que mais recusam ver a Verdade e os maiores inimigos dela. Importante é ser em nós a Ciência transmitida pelos Mestres, sejam Eles quem forem, porque a Ciência é universal. Ao perseguirem Jesus por causa de Jesus, quando este lhe aparece sob outra forma, ficam incapazes de assimilar a qualidade de vida que Jesus representa, a Filosofia Divina que só Ele pode dar. Ao fazerem de Jesus um ídolo, e da sua Sageza e Ciência, uma caricatura sem verdade, pecaram contra o 2º Mandamento. Ter fé não é acreditar sem conhecer e saber. Ter fé é confiar ou colocar a sua vontade no saber derivado de um conhecimento exacto, que não é o dos Cinco Sentidos.
Quanta alegria não deveriam sentir ao saberem que há uma tradição diferente da que vos levaram a aceitar e que muda todo o significado da Vida! Os homens não estão sós. Cristo habita em cada um e vive em cada um as suas alegrias e tristezas. Para nos ajudar, Cristo utiliza um corpo físico permanente na Terra, que é uma mera forma de Presença, diferente dos corpos vulgares. A única separação entre nós e Cristo são as nossas imperfeições. A dificuldade é estar perante um Sol que Cristo é – e não «arder»! O Senhor da Compaixão nunca abandonou os homens, nunca deixou de ter um corpo físico permanente e exerce uma ajuda constante a todos os que precisam, sobretudo se a Ele se devotarem.
Os corpos do Senhor Cristo ou outro Mestre só na aparência são humanos! Exposto o ensino sobre as Substâncias a que chamamos «almas», que relacionam o Espírito e a Matéria compreendemos que ou Cristo vive nos Planos Temporais (Mental, Astral e Físico) e tem corpos dessas Substâncias ou haveria um vazio Espiritual e Divino. Os Mestres não têm corpos físicos porque querem; é para Eles um sacrifício de Amor por nós e de fundamento de Lei. Lá no fundo sabemos que não estamos desamparados e pedimos ajuda; se estivéssemos abandonados, não havia coragem para viver. O mundo que descrevo nada tem a ver com o vosso mundo. É mais lindo, harmonioso, digno, santo, do que o vosso! Se pensarem Cristo como humano é Humano Perfeito, logo trans-humano; as imperfeições são nossas. Cristo não peca e se andarem a «inventar» os pecados de Cristo para se justificarem é uma ignomínia. A literatura da fome sensual e de desejos é desonesta. Só por existir, mesma que não fosse lida é uma causa de malefício.
O «apaixonado» não pensa sobre factos exactos, isento. Não troque o Grande Peixe da Sabedoria, que é o Mestre, pelos peixes miúdos da «informação». As vítimas dos seus humores criam a espiritualidade de emoções, que aprisionam. O perigo começa quando se convencem que essa «sensação» é uma grande espiritualidade e todos deviam ser como eles. Peço-vos que prestem atenção ao facto de dizer factos aparentemente supérfluos, mas necessários para defenderem a História real de Jesus e do Cristianismo; não exploro emoções escaldantes.
O Monte Líbano foi a área geográfica onde Jesus (Jesus e não Cristo) centrou a Sua intervenção no Mundo durante a Era Devocional. Também os Mestres necessitam de uma base física. Líbano do Lat. Libanios, uva que cheira a incenso, e Libatio, libação, sacrifício, do Mestre que terminou os sacrifícios religiosos animais, Libatus, a alma que emana da Divindade, a alma Crística, do filho de Deus, em harmonia com a alma do filho do Homo, as duas almas acima da alma natural.
Os étimos são Ciência oculta. O cientista espiritual vê o significado oculto das palavras, como veículo de Sabedoria. A Comunidade Essénia deve ter conservado o ensino de Jesus-Cristo até serem dispersos, primeiro em 60 AC., e mais tarde, pela ocupação romana em 70 DC. Coincidiu com a revolução popular cristã e foram obrigados a defenderem-se da intolerância religiosa, pela via eficaz: o silêncio. Alguns destes Essénios refugiaram-se na Síria e eram aí conhecidos por Ebionitas (os Pobres). O texto de Damasco foi levado pelos Essénios Ebionitas para essa região. Encontramo-los também no Egipto com o nome de Terapeutas. ([i])  
A outra grande colónia de migrantes demandou a Ásia Menor. Não há diferenças de doutrinas entre os Grandes Seres. É indiferente se o Mestre se manifestou com determinado nome ou apenas utilizou os corpos de um dos Seus Discípulos. E nem interessa resolver o diferendo porque o Discípulo e o Mestre são uma unidade, e é frequente usarem o mesmo nome. Alguns trechos das Epístolas de Paulo reproduzem linguagem dos Essénios da Síria, incluindo as referências a Belial, Príncipe da Sombra, oposto à Luz, citado no documento de Damasco. Belial não é o Mal mas o que «desce».


[i]     Jean-Yves Leloup. Prendre soin de l’être. Ed. Albin Michel

segunda-feira, 11 de maio de 2020

A Remissão dos Pecados: Ser Livre de Karmas


S. Paulo ao referir-se ao Novo Homem, Nova Idade, falava ao fim do Éon desta Geração (5ª Raça) A 6ª Raça é diferente das outras por ter de haver um Juízo, avaliação evolutiva. Basta o significado exacto dum termo – Éon, para ver como andam a ser drogados por falsas imagens culturais. Eis um livro cheio delas. ([i])  
No Livro de Habacuc registo das doutrinas aceites pela comunidade Essénia, há uma passagem reveladora da profundidade do ensino sobre a Reencarnação-Karma: «Não se levantaram de súbito os vossos torcionários? Não encarnaram os vossos opressores? Por isso sereis as suas vítimas. Porque haveis saqueado muitas nações, todos os outros povos vos pilharão e oprimirão».

A experiência das Leis do Karma e Reencarnação, bases da Lei da Evolução, têm de ser despertadas no Homem para reconhecer que toda a sua actividade tem consequências: olhar a miséria dos bairros degradados e a maldição pendente na vida de muitos, como Karma e Reencarnação, e compreender as causas da fatalidade. O Homem que não relaciona o futuro com o presente e passado, não sabe criar Destinos. Podemos criar um futuro, no passado e Jesus perguntava como quereis conhecer o fim se não conhecem o princípio, o passado das coisas por mudar! Tem três efeitos: Nemesis, multiplicador; Adrasteia, coercivo; e Themis, a recuperação da Harmonia perdida. É neste aspecto que devemos fixar-nos.
O crescendo de miséria e da injustiça contrasta com o acréscimo de bens materiais, a inevitabilidade da Luta Final.. Kali Yuga é uma Idade de acréscimo de Bens: materiais ou espirituais; os falhados escolhem os materiais, os justos, os espirituais. Temos pouco tempo para escolher o lado. Os Essénios de Jesus preparavam-se para o Dia de Juízo Final. Não sabiam que faltavam 429 milénios nessa altura? - Sabiam. Porém, o nosso destino é preparado milénios antes.
Posso alterar o passado? Posso! A força existia antes de ser gerada e continua a existir depois de ser gerada, e jamais pode ser anulada, mas pode ser reordenada. É um Princípio de Lavoisier da Ciência Espiritual: na Natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. A Evolução chama-se Transformação. A Liberdade (do Karma) é transformar em bem, o mal feito.
O Senhor Buddha via o Ser e a criatura onde o Ser habitava sem fazer parte do processo evolutivo e constatava: apenas as boas e as más acções reencarnam e a morada do Ser é mais feliz ou infeliz, consoante aquilo que a «morada» fez para bem ou para mal. O Ser é tudo, como se em nós houvesse apenas Presente. Cada facto do Passado tem uma relação com os muitos Futuros correspondentes a esse Passado. Se quiser mudar, escolho outro Futuro (ou Qualidade, Essência) do Passado. Somos como «cidade de Deus» o Tempo integral, o círculo do Tempo inteiro, e modificamo-lo constantemente – presente, passado e futuro. Para transformar o passado coloquem-se no centro em que o tempo – passado-presente-futuro – é Presente. Quanto mais me aproximar dos meus objectivos de vida, do Dever, mais livre sou de realizar o meu Destino. ([1])
A capacidade de alterar o passado e o futuro, como um holon, é limitada pelas forças no Todo, as quais dependem de todos os Karmas e não apenas do meu Karma. O Homo é permanente, enquanto Divino, e o Tempo é um percurso em nós mesmos. Uma decisão tomada hoje altera tanto o futuro como o passado, porque o Homo real vive no Eterno Presente. O Passado pode ser alterado por meio do Futuro. Vivam no Futuro porque é do Futuro, o da Essência, e não do passado, o da Existência, das coisas feitas, que vem a Libertação! Mudar os acontecimentos é tanto mais exequível quanto mais nos aproximarmos do tempo primordial ou primevo. Como Ser, eu não viajo no tempo é o tempo que viaja em mim e altera o passado, presente e futuro, modificado pelo livre-arbítrio de cada momento. Somos homens completos na Terra desde o 3º período da Era Secundária.
Diz-se do Homo desperto para o Eu Superior: entrou na corrente, reconheceu que é um rio, é um fluxo sempre em movimento. Quando passarem a ser como Cristo, o Alfa e o Ómega grego (o A a Z), libertam porque deixam o tempo linear e são o tempo holístico. Como método de estudo do sagrado (Zetético), a frase de Cristo ganha nova luz e espero de vós que descubram os muitos significados «ocultos». Todos somos em Cristo o alfa e o ómega e esta frase significa que o tempo separado não admite mudanças mas no tempo total são possíveis!
Outro ponto a considerar é o Homo ser veículo de dois tipos de consciência, a Humana, ou da Essência, e a Angelical, ou da Existência. Os sucessos e fracassos evolutivos são das duas raízes de Manifestação: de Homens e de Devas ou Anjos, cooperando para que o Ser se revele. Se Karma-Nemesis é uma consequência de acontecimentos temporais, ao passar a ser regido a partir do Eu Superior ou Divino, deixa de estar sujeito ao aspecto coercivo, Adrasteia, de Karma.


[1] O elemental que coabita no Homo com a consciência humana satisfaz os desejos corporais do físico e do corpo dos desejos e do mental, sem valorizar o bem-mal. Daí S. Paulo Ep. Rom. 7:19 dizer: “Não faço o bem que quero mas, o mal que não quero esse faço.” Acontece por haver dois tipos de volição na personalidade. 7:9: o mandamento que era para vida, achei que me era para morte,” A constante oposição entre desejos do corpo e a volição para o Bem é a experiência, primeiro do Mal para que o Bem seja visto (7:13). É diferente ser fanático pelo Medo ou Livre por boa escolha. Viram que a Verdade é incompatível com o saber académico materialista. Aceitar os Mestres significa ser rejeitado pela cultura no poder. Quem tiver coragem de militar no Movimento Renascentista Espiritual do sXXI entra numa luta desigual. Que desassossego vamos suportar!


[i]     Marcel Simon-André Benoit. Le Judaïsme et le Christianisme antique. Ed. Puf.

domingo, 10 de maio de 2020

Textos apócrifos: Damasco, Nag Hammadi, Qumram


Os Mestres consideraram as Religiões do Ocidente desumanas e responsáveis por tanto sofrimento. Os textos dos Mestres servem para orientar a Ciência, Ética, Educação, organização social, para os objectivos da Vida a consignar em Leis, etc. O que é necessário foi dito. As religiões deram muita ênfase às respostas emocionais exclusivas e nenhuma ao Conhecimento Espiritual que não tiveram «inteligência» para o desenvolver.
Com o advento da Teosofia moderna apareceram homens clarividentes, com algum treino do despertar de poderes (Siddhis, literalmente atributos de perfeição). São mundos para descobrir! Não podendo saber directamente, deixo de parte tudo o que os Mestres não confirmaram e não vem escrito nos textos Antigos, uma vez que não há uma nova Sabedoria a dar, só há a Sabedoria, cada vez mais com apoios na Ciência. Nunca repita “teoremas que não possa justificar em fontes de experiência rigorosa (a dos Mestres). 
O objectivo é substituir as imagens falsas que corrompem a cultura por imagens verdadeiras, com o mínimo de dados positivos que as justifiquem. É possível gerar uma Nova Cultura para o Novo Homem com uma base de experiência científica crescente. Sei que isso não se faz de-repente mas alguém tem de começar... Dar fé é dar Testemunho exacto, do que foi presenciado ou experimentado.
Há um Cristianismo um século antes da suposta vida de Jesus-Cristo sobre a qual fizeram o calendário Cristão. Um grupo de Cristãos Esoteristas foi os Mandeus ou Cristãos de S. João (Baptista). Os árabes chamaram-lhes também Sabianos ou Tzabianos. 

Os cristãos de S. João fizeram uma boa síntese das tradições esotéricas antigas. Fez-se constar que João Evangelista, o apóstolo fiel ao Oriente de onde não saiu, teria sido escolhido como guardião da Tradição Esotérica Cristã. Por via dos Cristãos de S. João se estabeleceu a ponte entre a Tradição do Santo Graal e dos Templários. Outro, o Cristianismo de Tomé, o Apóstolo das Índias “sepultado” em Madrasta, era tolerante e esotericamente mais informado, divorciado da ortodoxia dogmática Católica, dos fanáticos das cruzadas e evangelizações terroristas, ao serviço de políticas.
A base da nova cultura Humana, não pode ser o Cristianismo ortodoxo mas o herético, esotérico. O apócrifo Ev. de Tomé foi levantado, em 1945, pelo arado de um lavrador egípcio, entre outros textos gnósticos, metidos numa ânfora, utilizada na Antiguidade para transporte de líquidos (vinho, azeite), enterrada para serem salvos em futuras gerações. A sapiência dos religiosos da Antiguidade deu-nos a possibilidade de, após séculos, conhecermos o ensino esotérico de Jesus. ([i])

O étimo Apócrifo significa, enigma (grifo) decifrado, descoberto. Na tradição judaica, um texto sagrado não pode ser destruído, e por vezes era enterrado em ânforas para garantir a sua sobrevivência. Durante a Revolução Cultural Cristã que durou séculos, todas as grandes Bibliotecas da Antiguidade foram destruídas; uma desoladora prática de terra queimada. Ficámos sem passado. Esconder em ânforas e enterrar é um mecanismo defensivo, de protecção contra a violência dos religiosos e políticos inquisidores do terror, que asseguram interesses egoístas, em jogos de poder. Desenterrados os textos, os alicerces do poder ruem, porque as igrejas não seguiram Cristo e os políticos abusam das falsas raízes Cristãs.
Nos séc. II-III matava-se quem possuísse textos das Religiões dos Mistérios; depois quem guardasse imagens; nos séc. V-VI quem tivesse documentos onde fosse referida a Preexistência ou Reencarnação, ou a lei da Holonomia, o Todo existe em cada parte sem partilha, como os Priscilianistas Ibéricos professavam; nos sXII a sXV, condenava-se à morte quem recolhesse textos esotéricos dos Cátaros e outros heréticos; em 1229, segundo uma directriz emanada do Concílio de Tolosa, queimava-se quem possuísse uma Bíblia, logo, o texto básico da sua própria religião. O alvo das ”inquisições” era todo e qualquer saber fora dos ditames oficiais, longe dos Mestres. O Homem só era digno cristão, se fosse analfabeto! No sXVIII opunham as Luzes às Trevas. ([1])
Religiosos e Cientistas partilharam o erro sensual ou materialista, o que vai dar ao mesmo. Tornaram-se fósseis vivos que estudam fósseis mortos. A ânfora do tesouro gnóstico escondido foi encontrada no Alto Egipto, no ano de 1945, em Nag Hammadi. O tesouro oculto é conhecido pelo nome de Textos de Khenoboskion por terem sido achados perto das ruínas de uma cidade com este nome.
Os achados de Qumran são revolucionários e o Judaísmo e Cristianismo não estão interessados em divulgá-los, tão grande é a derrocada! 

Manuscritos de Qumran

A existência de um Cristianismo antes do Cristo oficial é um dado objectivo sobre o rigor da Sofia dos Mestres: Eles disseram, antes dos manuscritos terem sido descobertos, o que hoje se sabe. A história das grandes religiões mostra como os Grandes Seres divinos, apesar da sua enorme superioridade sobre as personalidades finitas dos humanos, tiveram dificuldade em seres aceites e foram perseguidos. Jesus não nasceu na data indicada, mas um século antes (em 102 AC), no reinado de Janeu (103-76 AC) e na cidade de Lida ou Lüd, zona do aeroporto de Telavive. Era a cidade dos cinco caminhos, fundada por um outro Jesus (Joshua), no vale de Avalon, cuja ligação ao Mito do Graal é explicativa. Era o mais lindo Vale de Israel!
Os religiosos do deserto de Judá, Teósofos próximos da filosofia Grega e do Buddhismo eram uma afronta ao poder. Os Judeus condenaram-no à morte por delapidação, no contexto da perseguição aos Essénios e fuga (outros insistem hoje em delapidar, não aprenderam, e por isso mostro o que foi a perseguição e morte de Jesus). Nasceu aqui o mito da matança dos inocentes ou crianças, assim são chamados os «iniciados». Foram 40 mil mortos, diz-se, e Jesus foi um desses inocentes. Muitos fugiram, os Terapeutas de Alexandria, e criaram «o clima Neoplatónico». No Mito transferiram o facto histórico para o tempo de Herodes. ([ii])
Mais tarde, os Romanos (Imperador Adriano), reconstruíram a cidade Lida destruída pela ”revolução” e chamaram-na Dióspolis, cidade de Deus. Ele sabia, os «cristãos» não sabem!
A Comunidade religiosa de Qumran tinha a Ceia Eucarística e o Baptismo. Faziam orações três vezes ao dia, voltados para o Oriente e não para Jerusalém, como era hábito dos judeus. E chamavam-se Filhos de Zadock, Filhos do Justo, do Mestre. O título de Filho do Mestre dá-se a discípulos muito avançados capazes de se identificarem, totalmente, com a vontade do seu Mestre. O Mestre vive em cada um dos seus Filhos e conhece tudo quanto eles pensam, sentem ou fazem. Jesus representa um ”avanço” na progressão para o nascimento da 6ª Raça, ou 6ª Trombeta, que modificará a Substância e a sua vibração (som).
Um político Antigo disse que poderia mudar os comportamentos das pessoas se tivesse o poder de eles só ouvirem a música de sua escolha. O nascimento da 6ª Raça é mudar a Matéria e a Substância dos nossos veículos por outra. A música popular que hoje nos transmitem é o espelho da Era de trevas que domina o mundo e provoca o Dia de Juízo. As duas Raças do futuro serão Raças de Substância superior à da 5ª Raça Ariana, portanto, de Qualidade Espiritual.
O início da Era Cristã caracterizou-se por lutas político-religiosas do tipo revolução cultural. A revolução cristã foi cultural e odiosa no mau sentido político (Maoísmo ”avant la lettre”). A incapacidade de poder saber e a falta de saber andam associadas. As transformações operadas pelo Cristianismo (que é a mais científica e linda das religiões, se souber a “chave” de símbolos), foram uma espécie de cura! Em todas as revoluções culturais sangrentas, quem contesta a ideologia é eliminado. Na Revolução terrorista Cristã foi assim: não acreditava que Cristo era o único Filho de Deus: morte! Defendia a preexistência ensinada pelos primeiros padres, na Escola de Alexandria, por gnósticos, e largamente conhecida nas outras culturas. Ser tolerante para todas as religiões: morte! Ser vegetariano: morte! Ser ciente da preexistência do Ego e da Evolução para a Perfeição; morte! 
Qual é o significado da descoberta dois anos antes de uma outra idêntica, em 1947, nas grutas dos arredores de Qumran, uma antiga povoação de Essénios ([2]), fundada cerca do ano 100 AC? Refiro-me aos Rolos do Mar Morto encontrados nas cavernas junto da margem daquele Mar. Os achados na primeira caverna de Qumran, continham os textos seguintes: Comentários aos Livro de Habacuc; O Livro de Hinos ou Salmos de Acção de Graças; A Guerra entre os Filhos da Luz e os Filhos da Sombra; e o Génesis Apócrifo. Em 1952, descobriram outros manuscritos em cavernas próximas. ([iii]) No Cosmos não há Acasos, tudo tem uma razão de ser! As moedas recolhidas no local datavam de 130 AC a 70 AC, o tempo onde temos de situar o Mito Cristão, um século antes. Se havia Cristianismo um século antes de Cristo é porque Cristo é anterior à data adoptada. No Códex Nazareu diz-se que João Baptista já baptizava há 42 anos quando baptizou Jesus. Nasceram ao mesmo tempo e Jesus, dizem eles, morreu aos 33 anos!? É uma trapalhada!
Os propalados, mas postos em segredo, Textos do Mar Morto estão arquivados, no Museu de Israel, em Jerusalém. Os textos, sem dúvida de um ensino ministrado no século I A.C. na comunidade Essénia, confirmado pelos materiais e moedas recolhidas no local, trouxeram ao nosso conhecimento o Mestre da Rectidão ou Mestre da Justiça (Moré Hassedeq), Mestre da comunidade, dirigida por um Conselho dos 12, como os 12 Apóstolos de Jesus. Um Mestre não morre e tem poderes insondáveis! Os textos são escritos em linguagem cristã. Foi informada a data de nascimento de Jesus.




[1] No tempo das fogueiras inquisitoriais queimavam-se os textos de sabedoria herética, oculta, para a eliminar. Dizia-se que os textos sagrados não ardiam, só os falsos.
[2] Essénio eram «Assaias», curadores que faziam uma medicina com acesso aos outros Planos e corpos subtis do Homo. O Ebionita era um Nazar, separado, de uma escola de mistérios para Iniciados, que tinham alcançado o total desapego de teres, de bens terrenos. Os Nazarenos eram pobres por serem espirituais e não temporais. Não podemos incluí-los nos Essénios, que tinham uma base popular mais ampla. Todas as doenças começam na mente perturbada sem a poder tranquilizar.




[i]     Jean-Yves Leloup, L”Évangile de Thomas, Spiritualités vivantes, Ed. Albin Michel.
      O Evangelho Segundo Tomé, Editorial Estampa, Lisboa, 1992.
[ii]     Jean-Yves Leloup. Prendre soin de l”être. Ed. Albin Michel
[iii]    Jean Danielou, The Dead Sea Scrolls and Primitive Christianity, A Mentor Omega Book, N. York 1958.
      E. Laperrrousaz. Os Manuscritos do Mar Morto. Rés Editora. Porto